Algo
estranho aconteceu de repente, quando o martelo de ferro vinha na direção da
minha cabeça uma espécie de escudo reluzente apareceu na minha frente, fazendo
o martelo rebater, o bandido soltou-o por causa do impacto do escudo, não
entendi o porquê disso ter acontecido, mas era uma vantagem. Precisava fazer a
arqueira me soltar antes que ele pegasse o martelo novamente. Ela estava segurando
meus braços, mas não minhas pernas. Apoiei uma perna no chão e a outra usei pra
chutar a cabeça dela, assim ela me soltou e eu pude levantar, quando menos vi,
ele já estava com o martelo na mão e eu estava sem a espada, pois ela caiu da
minha mão quando eu tropecei. Mas não será problema, ele é lento. Ele fez o
primeiro ataque vindo da direita, eu pulei para esquivar. Minha posição era
acima da cabeça dele, então já aproveitei e meti a sola da minha bota no rosto
do bandido, o que o deixou atordoado.
Quando me virei para pegar a espada eu
levei uma flechada no braço direito, a arqueira, com o rosto ensangüentado por
causa do chute, estava lá. Não havia tempo para sentir dor. Enquanto ela pegava
outra flecha eu corria em sua direção e dei uma cotovelada na barriga dela, na
região do diafragma pra fazê-la perder o ar. Ela caiu de joelho no chão com a
mão no peito, rapidamente peguei a espada no chão e cravei nas costas dela, que
soltou um grito e então relaxou, depois fiz o mesmo com o outro que estava no chão
desmaiado por causa do chute que levou. Talline ainda estava sentada apoiada na
coluna do salão, não estava inconsciente, porém pálida.
- O que seria de você sem mim? – ela
disse sorrindo.
- Obrigado pelo escudo – eu respondi –
precisa que eu te carregue?
- N... Não! Eu consigo levantar sozinha
– ela cora
Ela se levantou.
- Isso no seu braço é uma flecha?! –
ela falou
- É. Aquela sua magia cura isso?
- Sim, mas como você pode reagir com
tanta naturalidade?
- Costume.
Novamente ela me cura. Agora, enquanto
avançamos na missão para recuperar a tabula do dragão eu me lembro, quando vi
aquele bandido enforcando Talline eu senti alguma coisa diferente. Foi raiva,
mas foi diferente... Era como se alguma coisa muito importante estivesse sendo
tirado de mim, foi raiva e preocupação. Nunca senti isso antes a não ser
quando... É... A não ser quando perdi minha família quando eu era criança. Talvez
isso seja amizade.
Começamos
a descer cada vez mais naquela ruína, então apareceu mais uma pessoa, talvez
esteja na gangue daqueles bandidos, nós estávamos meio longe dele, então ele
não viu.
Ele possuía uma tocha na mão, e estava
fazendo força para puxar uma alavanca, talvez essa alavanca abriria a porta de
ferro que estava a sua frente. Nem eu e nem a bretã nos movemos, ficamos
parados observando.
Era uma armadilha.
Vimos o homem morrer lentamente
linchado por dardos provavelmente venenosos. Logo após ele morrer nós entramos
nessa sala, era um quebra-cabeças. Haviam acima da porta de ferro dois totens e
um tinha caído no chão. Os dois de cima, da esquerda pra direita, possuíam
desenhos de cobras, enquanto o quebrado possuía o desenho duma baleia. Do lado
esquerdo da sala tinha outros totens, esses eram manipuláveis, com os mesmos
desenhos dos que estavam acima da porta.
- Veja, ele tinha tentado alguma coisa
– falei
- Ele tentou colocar na ordem direita
pra esquerda, baleia, cobra e cobra. Vamos tentar colocar na ordem contraria.
- Temos que ter certeza, caso contrário
esses dardos vão nos matar.
- Coloca na ordem cobra, cobra e
baleia. Meu escudo mágico vai me proteger.
- Não. Eu não vou colocá-la nesse
risco. Eu puxo a alavanca – fiz um sinal negativo com a cabeça enquanto ia
girar os totens.
- Prepare-se
Puxei a alavanca e me preparei pro pior.
Nada. Os dardos não foram lançados, portanto a porta abriu. Dei um suspiro de
alivio e começamos a andar novamente, adiante tinha uma mesa, mesa de trabalhos
antiga aparentemente. Nela tinha uma gema de alma, material usado por magos
para encantar equipamento, um livro cujo nome era “Ladrão”, uma poção cor de
sangue, e um baú.
- Uau! Esse livro, estive procurando
por ele há muito tempo – disse Talline ao ver o livro em cima da mesa.
- Você gosta de ler?
- Sim, é o meu passatempo preferido –
ela guardou o livro na bolsa.
Eu abri o baú, dentro tinha outro
frasco com poção, azul dessa vez.
- Bretã, o que é isso? – perguntei
- Essa aí é uma poção para magos, serve
para recuperar poder mágico, essa vermelha em cima da mesa é uma poção de cura.
Igual minha magia, só que cura mais rápido.
- Eu fico com ela, pega a azul.
Ela provavelmente não gostou da
negociação, mas aceitou. Além da poção, dentro do baú tinha alguns septims, 53
moedas pra ser mais exato, e manoplas de metal encantadas. Não tenho idéia de
que tipo de encantamento é, mas eu peguei.
- Espera, essas manoplas estão
encantadas? – Ela perguntou
- Estão, mas não sei com o que.
- Eu sei identificar, me empresta –
entreguei a ela as manoplas – sei... É minha.
- Hã?!
- Ela faz o poder mágico recuperar mais
rápido. Eu fico com elas – ela disse com cara de vingança
Tive que aceitar também, não ia ter
vantagem eu ficar com um negócio desses. Descemos uma escada espiral, que nos
levou a um corredor com teias de aranhas, e novamente aquele ar tóxico. Tinha
Frieiras por aqui com certeza. Andamos um pouco mais e ouvimos uma voz.
- T... Tem alguém aí? É você, Harknir?
Bjorn? Soling? Eu... Eu sei que fugi com a garra, mas eu preciso de ajuda! –
provavelmente esses nomes eram os nomes dos bandidos que matamos, mal ele sabe.
Quando
continuamos andando vimos uma entrada totalmente preenchida com uma grossa
camada de teia. Passei a espada três vezes e os fios cederam. Lá estava o
bandido, no fundo da sala preso em mais teias. Parei pra reparar na sala,
corpos no chão, as paredes forradas com teia, mas nenhuma aranha. Estranho.
Uma
sombra se projetou no chão. Óbvio, uma aranha de três metros de altura desceu
em sua teia saindo de uma abertura do teto que levava para fora daquela
caverna.
-
Por Tava – Falei. Estava assustado, não podia negar.
Não
deu tempo de raciocinar. Impulsivamente empurrei a bretã para trás de mim, que
caiu no chão, e eu avancei na aranha.
-
Drunmon!! O que está fazendo?! – Ela berrava no chão.
Tentei
evitar as patas e as presas, que eram as partes que tinham mais veneno. Pulei
numa pedra que tinha no caminho e usei-a para pular em cima da Frieira gigante.
“Tire-a de perto de mim!” o bandido gritava enquanto eu apunhalava a cabeça do
monstro.
-
Em cima de você! – gritou Talline
Olhei
pra cima e vi duas patas da aranha vindo em minha direção. Dei um pulo, ela
acertou a própria cabeça com as patas. Ela deu uma espécie de grito e caiu.
-
Porque você fez isso?! Você poderia ter morrido!
-
Não adianta pedir pra você não se preocupar...
-
Como eu não me preocuparia? Você imagina ao menos quão grande era a chance de
você morrer lá?
-
Não estou morto. É o que importa
- Deixem a briga de casal pra depois!
Ajudem-me a descer. – O bandido preso na teia interrompeu-nos.
Eu e Talline nos encaramos, tentando
decidir se tirávamos ele de lá ou não. Até que eu me lembrei da conversa dos
dois bandidos na entrada do túmulo, eles mencionaram uma garra dourada com um
bandido chamado Arvel, e o outro arqueiro do lado de fora falou que haviam
quatro bandidos aqui dentro, e como matamos três esse seria o último, seria ele
o Arvel com a garra dourada.
Talline falou no meu ouvido.
- Acho que deveríamos perguntar se ele
é o Arvel.
Eu sem pensar fui à direção de onde ele
estava preso e cortei as teias. Coloquei a mão no bolso onde estava uma adaga
de ferro, deixando-a na posição certa para jogar e perguntei.
- Cadê a garra dourada? – nem ao menos
sabia do que ela seria útil, mas não perco nada tentando.
O bandido olhou pra mim e retrucou.
- Seu tonto, acha que vou dividir o
tesouro com alguém? – e virou as costas pra correr.
- Não dê as costas pra mim!
Tirei rapidamente a adaga do bolso e
apunhalei as costas dele abaixo do pescoço atingindo a parte superior da
espinha. Ele soltou um gemido de agonia e caiu.
Depois de tudo eu percebi que ao cortar
as teias que ele estava preso revelei uma nova passagem, talvez o caminho que
nos levava ao fundo dessa ruína. Na bolsa de Arvel lá estava ela, a garra
dourada. Em baixo dela tinha uma decoração, eram três círculos moldados em
ouro, em um dava para identificar um urso, no outro uma ave, águia talvez, e no
último uma coruja. Talvez fosse um código, devo prestar atenção nisso. Ajudei a
bretã a se levantar e continuamos a andar pelo recém revelado caminho. Andamos
mais uns passos e vi algo intrigante daquelas ruínas, corpos mortos, em estado
de decomposição, guardados ali. Eram draugrs. Já tinha ouvido falar deles, mas
não sabia que eram assim. Continuamos a andar, mas quando chegamos no meio da
sala eu pisei em uma pedra, que se quebrou, emitindo um barulho meio alto, e
isso me fez saber que os draugrs não estavam mortos, e sim dormindo. Três deles
começaram a se levantar lentamente. Tanto eu quanto Talline entramos em guarda.
- Prepare-se! – Gritei
Dois deles usavam espadas e um usava
machado de duas mãos. Estávamos cercados. Eles provavelmente eram mais
habilidosos que aqueles bandidos, a estratégia de mandar a Talline atirar neles
de longe estava fora de cogitação, todos usavam capacetes e armadura nórdica.
Estávamos localizados no centro da sala, onde tinha um pilar meio rachado.
Um deles, o de machado, fez o primeiro
ataque. Eu esquivei agachando, o machado acertou o pilar, que fez balançar a
estrutura, Talline estava atrás desse que fez o ataque e golpeou-o pelas costas
com a espada de ferro que pegou dos bandidos, apesar da espada ter sido
completamente cravada em sua caixa torácica ele ainda estava de pé, afinal é um
morto vivo, mesmo assim ficou um pouco incapacitado de fazer alguns movimentos.
Eu levantei e, com a minha espada de oricalco, cortei sua cabeça ao meio
verticalmente. Caiu morto.
Talline falou
- Tive uma idéia, vem pra cá! – ela
puxou meu braço na direção oposta dos draugrs
- O que você pretende?
- Observe – ela falou enquanto
levantava a mão na altura da cabeça.
Eram
as chamas, as mesmas chamas que ela tinha usado contra as frieiras em Helgen.
Ela explicou a sua idéia.
-
Olha no chão. Isso brilhando é óleo, se eu usar minhas chamas aqui eu posso
incinerá-los.
-
Certo.
Ela
jogou seu jato de fogo no chão e veio um clarão. O óleo foi aceso, criando uma
grande barreira de fogo, só de ficar perto já sentia o calor devastador. Os
draugrs berravam dentro do matagal de fogo, até que se silenciaram. Estavam
mortos, alguns segundos depois as chamas começaram a acalmar-se e sumirem completamente.
Talline estava sentada no chão, respirando rapidamente de cansaço.
-
Você está bem? – perguntei
-
Estou. Só me deixa descansar um pouco
Provavelmente
usou a magia em excesso. Pelo menos terei uma desculpa pra sentar também. Ela
estava toda molhada de suor, vestindo apenas armadura pesada nas manoplas e nas
botas, ela não usa peitoral, no lugar era apenas uma roupa casual, nesta
ocasião usava uma roupa branca com uma saia. Como sou homem, não pude deixar de
notar seu corpo, belo e definido corpo molhado, com os longos e lisos cabelos
ruivos entrando furtivamente em sua camisa passando no meio dos seios. Cheguei
a pensar nessa hora se ela era compromissada, mas isso não é da minha conta.
Ficamos
uns cinco minutos sentados lá.
-
Podemos ir? – perguntei
Ela
não respondeu, estava com os olhos fechados. Dormindo talvez.
-
Ei, podemos ir? – falei mais alto
-
Hã? Ah, claro – Ela tomou um susto ao acordar
-
Em quinze minutos sentada você conseguiu dormir?
-
Eu to cansada... – sua voz estava realmente exausta.
-
Se quiser voltar...
-
Não, eu vou com você. Me ajuda a levantar – ela estendeu os braços em minha
direção
Eu
ajudei-a a levantar e nós continuamos a andar, haviam mais alguns draugrs pelo
caminho, nós vencemos esses com mais facilidade pois já estávamos preparados
dessa vez. Chegamos num túnel com uma porta ao fundo, haviam alguns destroços
de pedra e madeira nas bordas, deixando o caminho mais estreito. No fundo tinha
mais um draugr. Um único draugr. Eu estava pronto pra atacar, mas Talline me
segurou pelo braço. Estávamos fora do campo de visão dele, portanto seguros.
-
O que foi? – falei
-
Só tem um aí, até agora enfrentamos grupos deles. Pode ser uma armadilha.
-
Quero arriscar – virei às costas
-
Mas eu não vou deixar – ela segurou meu braço com mais força.
Quando
olhei pra trás de novo ela estava brava.
-
Qual é seu plano? – perguntei
-
Não tenho.
-
Quer ficar parada aqui então?
-
N... Não, mas...
-
Então eu vou pra luta – virei as costas – Se quiser lutar e permanecer segura
ao mesmo tempo, use o arco.
Fui
em direção ao draugr, que logo me percebeu. Comecei a acelerar o passo
lentamente e instintivamente. Estava ansioso pra lutar, mesmo pensando que ele não
fosse um desafio. Quando percebi, estávamos um correndo na direção do outro. Eu
apontei a minha espada pra ele. Na hora do impacto ele desviou, era claramente
mais rápido que os outros que enfrentamos, ele parou nas minhas costas
rapidamente, não tive tempo de reação, então fiz algo não recomendável. Para
desviar do ataque que talvez estivesse vindo, não sabia se ele iria atacar,
pois estava fora do campo de visão, eu dei um chute para trás e acertei a
canela dele que o fez cair de joelho. Mas Ele apoiou com sua espada e logo
contra atacou, fazendo um corte na minha perna esquerda. Dei um chute frontal
na cabeça dele, pois ainda estava de joelho. Ele caiu para trás, largando a
espada. Tentou levantar, mas rapidamente cortei a perna direita dele, começou a
gritar, dei um chute de bico na cabeça dele. Ele relaxou, não estava morto
ainda. Percebeu que eu ia mata-lo e falou uma coisa na linguagem dos dragões.
“Ni
praan”
Do lado de trás do draugr recém assassinado tinha
uma porta, que nos levou a um templo, andamos mais um pouco, matamos mais dois
draugrs comuns numa sala que encontramos pelo caminho até acharmos um corredor,
que no fundo havia mais um quebra cabeças. Era relativo à garra dourada. Era
uma porta no fundo do corredor, ela era de pedra e tinha três anéis manipuláveis
e no centro da porta tinha um lugar onde a garra era encaixada, parece que
devemos colocar os anéis na posição correta de acordo com os desenhos para
abrir a porta, os desenhos que deveriam ser postos em ordem eram de um urso,
uma coruja e uma águia, a ordem tava na cara, era a ordem que a parte de baixo
da garra dourada propunha. Urso, águia e coruja. Coloquei nessa ordem e abri a
porta. Foi muito fácil.
A
porta lentamente desceu, até nos dar espaço pra passar, haviam ali alguns
degraus que nos levavam a uma área aberta da caverna. Haviam vários pilares
formados naturalmente de pedra ali. Ao entrarmos um grupo de morcegos acordou e
voou para longe. Ao fundo dessa área tinha uma estrutura de pedra, e parece que
essa estrutura da o nome desse lugar de Túmulo das Cataratas sombrias, era um
sarcófago com uma parede atrás. Aproximamos-nos dessa estrutura, na parede
curva tinha algumas escrituras numa língua estranha, língua de dragão talvez.
Mas ao me aproximar senti algo esquisito, uma das “palavras” da parede
brilhava, minha visão escurecia, realçando apenas essa palavra.
-
Bretã, veja isso – falei apontando pra palavra
-
Sim, é realmente uma parede muito estranha.
-
Não é isso, essa escritura. Ela brilha
-
O que? Não vejo nada.
Um
clarão veio, a palavra parou de brilhar e pude ver novamente. Pude ler a
palavra que antes estava brilhando, “Força”, era isso que ela significava. Não
sei explicar o que aconteceu, não tive sequer tempo para pensar nisso, um
barulho estrondoso corrompeu meu pensamento, era um draugr saindo do sarcófago.
Apenas um draugr.
Não.
Era diferente. Tinha um mau
pressentimento.
Sua espada era encantada com gelo,
assim eu deduzi ao menos, saia uma aura azul clara dela. O draugr ao sair do
sarcófago olhou para mim, sem se mover, mas depois olhou para Talline e gritou
algo na língua dragônica. “Fus ro dah”. Foi o que ele disse, foi o que minha
mente pode projetar ao ver uma onda de vento de aura azul indo rapidamente em
direção a ela, que a fez voar longe, para fora da estrutura de pedra, colidindo
fortemente com uma pedra. Ele tornou a olhar pra mim, deu uma risada, “Heh He!
He!”, não contive a raiva pelo deboche dele. Dei um grito e fui correndo para atacá-lo,
ele era mais rápido, me deu um chute frontal no abdômen, que me fez perder o ar
por alguns momentos, e depois me socou no rosto, me fazendo cair no chão.
Segurou-me pelo pescoço e me levantou. Meu pé não encostava mais o chão.
“Dovahkiin saloh” ele disse e me bateu contra a parede.
Meus ouvidos não escutavam mais nada,
ali eu encontrava meu destino. Sendo morto por uma criatura tão repugnante, ele
levantou sua espada e encostou sua ponta no lado direito do meu peito e
empurrou-a contra mim. Estava pendurado na parede com uma espada cravando meu
peito. Minha visão começava a escurecer, sentia o sangue escorrendo pelo meu
corpo. Meu sangue. Aí eu me lembrei do que Talline me disse depois que saímos
de Whiterun, logo após eu falar com o Farengar. “Você não deve morrer pelos
seus amigos, e sim viver por eles”. Seria egoísmo meu morrer agora, Talline
deve estar sentindo muita dor. Sim, Talline. Ela será o próximo alvo desse
morto vivo.
Meus nervos estavam em chamas, minha
visão voltava aos poucos levantei meu braço e tirei aquela espada que cravava
meu peito, mas minhas pernas não se moviam, eu caí de joelho no chão. O draugr
que caminhava em direção a Talline percebeu que eu estava vivo ainda e voltou
para acabar o serviço. Minha espada estava longe de mim, e eu não peguei a
espada do draugr, pois é como eu digo uma pessoa que morreu com sua farda terá sua honra retirada se um
desconhecido usá-la. Não importa se é inimigo ou não, eu não retirarei a honra
de ninguém. Minhas mãos seriam o suficiente pra essa batalha. Levantei
lentamente, restaurando a mobilidade da minha perna. O draugr não tinha
respeito algum, apesar de saber que eu não tinha minha arma ele pegou a espada
dele, estava numa desvantagem completa, eu tentei avançar, mas ele me fez um
corte diagonal no meu torso, o encantamento de gelo só piorava a situação. Não
conseguia me movimentar mais, meu corpo praticamente todo ensangüentado
começava a se dissipar. Era difícil respirar, aí surgiu minha última esperança,
aquela poção de cura. Peguei na minha bolsa e tornei-a.
As feridas mais profundas
começaram a se fechar, como aquela que a espada fez ao ser cravada no meu
peito, mas a do corte diagonal não se fechou, talvez eu precisasse de uma poção
maior pra curar tudo. Levantei rapidamente, meu vigor tinha sido restaurado ao
lembrar que a vida de alguém, da Talline, estava em minhas mãos. O draugr
tentou um golpe lateral com a espada, mas eu esquivei, fazendo um rolamento e
me aproximando da espada de oricalco. Peguei-a e entrei em guarda.
- Agora você vai ver, sua
escória humana. - falei
- Heh heh! Heh! Heh! – ele
ria
Avancei nele e na hora de
atacar eu pulei, fazendo um ataque aéreo direcionado ao rosto dele, ele desviou
e contra atacou, eu recuei para não ter a espada cravada novamente em mim.
Ficamos um tempo em guarda planejando o próximo ataque. Eu fui pra cima dele
tentando fazer um ataque direto na barriga dele, ele defendeu, mas eu fui mais
rápido e chutei-o na barriga. O draugr largou a espada no chão, mas ele tinha
uma arma secreta. O grito. Novamente aquele berro em outra língua, fui
empurrado em direção a mesma parede ensangüentada, e ele avançou no meu pescoço
e novamente me vi naquela situação, dessa vez não tinha poção nenhuma pra me
salvar. Cravou sua espada no meu peito. Falhei. A única coisa que alguém pediu
pra mim eu falhei. O que me salvaria agora seria a magia da Talline, que se
encontrava inconsciente agora. Ou era aí que eu me enganava. Uma flecha atingiu
a cabeça do draugr a minha frente atravessou o elmo de ébano dele, era uma
flecha vermelha e preta, as partes vermelhas brilhavam. Observei a Talline chorando
rios de lágrimas retirando a espada de mim e me curando, não conseguia me mover
e nem ouvir, só ver. Como eu pensaria que chegaria naquele ponto? Me sinto mal por
ver Talline sofrendo tanto por mim.
Acabei dormindo lá. Não lembro
se morri ou se Talline conseguiu me salvar, só lembro que dormi.
2 comentários :
Acabei de ler todos os capítulos, muito bem escrito, mais capitulos por favor.
Obrigado pelo apoio João, ainda hoje sai o próximo capítulo.
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