segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Crônicas de Drunmon parte 12 - Dragonborn

                Lentamente meus olhos foram abrindo. Não conseguia mover nada além da minha cabeça, lentamente eu me recompunha e conseguia meus movimentos de volta. Logo depois minha memória voltou, lembrei de tudo que tinha acontecido, meu primeiro reflexo foi olhar para o meu peito, eu via sangue, mas nenhum corte ou ferida. Depois olhei ao redor, vi Talline deitada em posição fetal ao meu lado, deveria ter pego no sono recentemente pois ainda haviam lágrimas no seu rosto. Não a acordei, deveria estar exausta. Logo olhei pro draugr que quase me matou, ele estava com a flecha negra cravada em sua  cabeça, não era uma flecha comum pra ter atravessado um material de ébano com tanta facilidade. Tirei da cabeça dele pra ver. Era exatamente o que eu pensava, material de Daedra. Fico imaginando onde Talline conseguiu uma coisa dessas. Eu peguei-a pra mim.
            Então quando examinei o sarcófago, ou túmulo, de onde saiu o draugr eu vi que toda a jornada não foi em vão. Lá estava a tabuleta de que viemos buscar. Era exatamente como Farengar descreveu, era um mapa com escrituras dragônicas. Tinha uns três centímetros de grossura e media dois palmos, era um tanto grande, mas parecia antigo e frágil, apesar da espessura. Olhei pra trás e vi próximo a parede a espada, aquela maldita espada manchada com meu sangue. Não pude negar que senti vontade de pegá-la para mim, mas resisti. Me nego a usar uma arma que quase foi minha causa de morte. Agachei próximo a bretã adormecida e chacoalhei seu ombro pra acordá-la. Ela abriu os olhos e tomou um susto, e depois começou a chorar de novo.
            - V... Você esta bem? – Perguntei a ela
            - Nun... Nunca mais faça isso comigo – Ela coçava o olho a medida que as lágrimas escorriam.
           
            Saímos daquela caverna, era noite. Perdi totalmente a noção do tempo depois que entrei nessas masmorras malditas. Caminhamos em direção a Whiterun.
            Ao chegar fomos direto a estalagem, estávamos exaustos apesar de tudo. Logo de manhã eu acordei para ir a Dragonsreach, o palácio do rei Balgruuf. Ao sair da estalagem olhei ao horizonte acima das muralhas da cidade, meus olhos não acreditavam. Muito longe dali estavam o dragão, longe o bastante para não sentir medo e perto o bastante que a visão ainda alcançava. Estava aparentemente atacando a torre vigia de Whiterun, tentei ignorar e ir em direção a Dragonsreach logo. Ao entrar a imagem era praticamente a mesma que eu vi da primeira vez que entrei, fui direto a sala do mago, ele estava conversando com uma mulher encapuzada. Ao me ver ele interrompeu e me perguntou.
            - Já esta de volta? Conseguiu algum resultado? – ele me perguntou com brilho nos olhos, acho que esta ansioso.
            - É isso? – Coloquei na mesa a placa de pedra
            - Meu... deus! É real!
            - Você foi para os Túmulos das cataratas sombrias e pegou isso? Bom trabalho – a mulher encapuzada reagiu.

            Mal tivemos tempo para comemorar, a elfa guarda costas do rei apareceu.
            -Farengar! Farengar, não há tempo de ficar em cerimônia. Um dragão foi visto por perto. – deveria ser o dragão que eu vi ao sair da estalagem.
            - O que? Um dragão em carne e osso? – Farengar não parecia estar com medo.
            - Precisamos falar com Balgruuf sobre o que devemos fazer.

            Fomos ao andar de cima do palácio, precisamente nos aposentos do rei, ali havia um guarda vigia, foi ele que viu o dragão atacando a torre, pelo menos ele foi quem sobreviveu ao ver. O rei estava ciente do dragão e nos mandou ir examinar a área do ataque.
            - Se o combate for necessário, façam de tudo para proteger a cidade e matar o dragão. – disse Balgruuf
            - Certo, devo chamar algum dos guardas para ir comigo? – Irileth perguntou
            - Sim, e você, Drunmon, eu queria pedir que você fosse também. Afinal, você já viu um dragão e é, portanto, o que tem mais experiência sobre eles.
            -Sem problemas – falei
            - E quanto a você, Farengar, você não vai ao combate, não posso por você em risco também. Fique aqui e prossiga com suas pesquisas.
            - Ma... Mas eu queria vê-lo – Farengar parecia uma criança que perdeu o doce.
           
            Saímos do palácio e fomos em direção ao portão principal da cidade, tinha um grupo de guardas aguardando ordens de Irileth. Ela comandou-os para irem conosco matar o dragão, deu-os algumas mensagens de confiança, pois aqueles pobres coitados nunca viram um dragão na vida.
            Corremos em direção a torre, que por sinal estava toda destruída, haviam destroços de tijolos de concreto pelo chão, e haviam ali também várias fogueiras. Chamas do dragão provavelmente. Eu adentrei a torre pra ver se tinha alguém vivo. Logo na entrada havia um guarda que estava lá durante o ataque. Ele estava muito ferido, e sua couraça estava praticamente toda rasgada.
            - Não! Não venham pra cá. Ele esta por aqui ainda. – estava com medo, se referia ao dragão.

            Ouvimos um rugido.
            - Kynareth nos proteja, aí vem ele de novo

            Era o dragão, rápido como o vento.
            - Aí vem ele, garotos! Façam com que toda flecha conte. – Gritou Irileth, a elfa

            Ele voou acima de nós, muito próximo ao chão, ao olhar pra cima tudo que víamos eram flechas voando sem rumo lançadas originalmente para acertar o dragão. Eu estava com meu arco e com dez flechas mais a flecha daédrica de Talline, que por sinal deve estar dormindo agora. A mira dela seria útil agora. O dragão deu umas três voltas na área da torre e pousou, pousou no caminho de pedra, estava muito longe de mim, até eu chegar onde ele estava ele levantaria vôo de novo. De longe eu tentei atacá-lo, lancei uma flecha comum, não a daédrica. Pude ver um infeliz dum guarda atacando o dragão bravamente de perto, mas sua coragem foi logo inutilizada ao receber uma abocanhada dele. O dragão sanguinário chacoalhava o pobre guarda de um lado pro outro com a boca, até soltar e atira-lo longe. Era horrível ver uma cena dessas sabendo que eu não podia fazer nada.
            O monstro olhou para mim de longe e berrou. “dovahkiin los rigir, nuz vis rok kriist suleyk do dovah?”, era de arrepiar a maneira que esses monstros falavam. Depois de falar isso ele levantou vôo e começou a me rondear, até que berrou novamente, “Yol toor shul” foi o que ele falou quando começou a sair da boca dele uma rajada de fogo, consegui escapar por pouco, toda a área de onde o fogo atingiu estava em chamas agora, queimava até a alma se bobear quando tentava me recompor o dragão pouso bem na minha frente, tentei dar a volta nele para não ser abocanhado, olhei ao redor enquanto corria e vi irileth vindo em minha direção pra ajudar, subi numa pedra que estava bem do lado do monstro e usei-a para pular em sua lombar, pois apesar de tudo ele não tinha alcance para me pegar ali. Mas ele percebeu que eu estava lá e levantou vôo, tudo que eu tinha para me apoiar eram aqueles espinhos das costas dele. Tentei escalar até chegar à cabeça. Era difícil, mas deu certo. Tentava não olhar pra baixo, já estávamos muito longe do chão e subíamos cada vez mais. Ao chegar na cabeça eu apertei a garganta com minha perna e começai a golpear a cabeça com a espada.
            - Hinskaal, se eu morrer agora você morre também, Dovahkiin – aparentemente o dragão falava minha língua também.
            - Te vejo em oblivion, então!

            Tornei a golpeá-lo, mas quando vi, ele começou a se aproximar do chão. Pensei se ele estava tentando se suicidar, mas pelo contrário, ele pousou. Aproveitando que eu já estava no chão golpeei-o com mais força, minha espada cravou completamente na cabeça do monstro, que soltou um rugido agudo, acho que consegui.
            Deixei lá minha espada e saí de cima dele. Os guardas e a Irileth se aproximaram de mim.
            - Você... Você conseguiu! – um guarda falou
            - Algo está acontecendo. – Irileth gritou de longe.

            O dragão tinha suas escamas se decompondo e sumindo no ar. “kogaan, joor. Obrigado” o dragão falou e depois dormiu. Uma aura azul começou a sair dele, que teve toda sua carcaça decomposta, sobrando apenas o esqueleto. A aura azul lembrava a alma dele, que começou a ser absorvida pelo meu corpo. Quando eu olhei ao redor vi todos os guardas com olhares surpresos.
            - Você é... Dragonborn, por Talos, os deuses não nos abandonaram! – um deles falou
            - Dragonborn? O que é isso? – respondi
            - Sim, pode ser ele. Meu avô me contava histórias sobre um homem que tinha o poder de matar dragões e absorver suas almas, você pode ser ele, redguard. – outro guarda falou
            - Não acredito nessa história de criança nórdica. – Irileth replicou.
            - Você é elfa, Irileth, óbvio que não acredita.

            Enquanto eles discutiam, eu me lembrei daquela parede com escrituras dragônicas nos Túmulos das Cataratas Sombrias, aquela palavra que brilho... Força ela significava... “Fus” traduzido literalmente. Tentei assimilar. O Dragão gritou “Yol toor shul” e chamas saíram da sua boca. Então se eu gritar “fus”... Não custa tentar.
            -Fus! – Gritei, e algo aconteceu, saiu da minha boca uma onda azul de vento, como o draugr fez. A rajada fez com que alguns guardas fossem empurrados, mas não voaram longe, acho que o poder não era suficiente ainda.
            - O que foi isso agora?! – Irileth gritou
            - O thu’um! Ele possui o thu’um! – o outro guarda gritou
            - É definitivo então, você é Dragonborn – um guarda acrescentou.
            - Drunmon, vá até Balgruuf e conte-o tudo que aconteceu aqui. Inclusive esse negócio de ‘Dragonborn’, ele vai saber o que fazer – a elfa falou


            Fiz um sinal de positivo com a cabeça e parti para Whiterun, agora tenho em mãos um poder que não tinha conhecimento, preciso saber como usá-lo.

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