Lentamente meus
olhos foram abrindo. Não conseguia mover nada além da minha cabeça, lentamente
eu me recompunha e conseguia meus movimentos de volta. Logo depois minha
memória voltou, lembrei de tudo que tinha acontecido, meu primeiro reflexo foi
olhar para o meu peito, eu via sangue, mas nenhum corte ou ferida. Depois olhei
ao redor, vi Talline deitada em posição fetal ao meu lado, deveria ter pego no
sono recentemente pois ainda haviam lágrimas no seu rosto. Não a acordei,
deveria estar exausta. Logo olhei pro draugr que quase me matou, ele estava com
a flecha negra cravada em sua cabeça,
não era uma flecha comum pra ter atravessado um material de ébano com tanta
facilidade. Tirei da cabeça dele pra ver. Era exatamente o que eu pensava,
material de Daedra. Fico imaginando onde Talline conseguiu uma coisa dessas. Eu
peguei-a pra mim.
Então quando examinei o sarcófago,
ou túmulo, de onde saiu o draugr eu vi que toda a jornada não foi em vão. Lá
estava a tabuleta de que viemos buscar. Era exatamente como Farengar descreveu,
era um mapa com escrituras dragônicas. Tinha uns três centímetros de grossura e
media dois palmos, era um tanto grande, mas parecia antigo e frágil, apesar da espessura.
Olhei pra trás e vi próximo a parede a espada, aquela maldita espada manchada com
meu sangue. Não pude negar que senti vontade de pegá-la para mim, mas resisti.
Me nego a usar uma arma que quase foi minha causa de morte. Agachei próximo a
bretã adormecida e chacoalhei seu ombro pra acordá-la. Ela abriu os olhos e
tomou um susto, e depois começou a chorar de novo.
- V... Você esta bem? – Perguntei a
ela
- Nun... Nunca mais faça isso comigo
– Ela coçava o olho a medida que as lágrimas escorriam.
Saímos daquela caverna, era noite.
Perdi totalmente a noção do tempo depois que entrei nessas masmorras malditas.
Caminhamos em direção a Whiterun.
Ao chegar fomos direto a estalagem,
estávamos exaustos apesar de tudo. Logo de manhã eu acordei para ir a
Dragonsreach, o palácio do rei Balgruuf. Ao sair da estalagem olhei ao
horizonte acima das muralhas da cidade, meus olhos não acreditavam. Muito longe
dali estavam o dragão, longe o bastante para não sentir medo e perto o bastante
que a visão ainda alcançava. Estava aparentemente atacando a torre vigia de
Whiterun, tentei ignorar e ir em direção a Dragonsreach logo. Ao entrar a
imagem era praticamente a mesma que eu vi da primeira vez que entrei, fui
direto a sala do mago, ele estava conversando com uma mulher encapuzada. Ao me
ver ele interrompeu e me perguntou.
- Já esta de volta? Conseguiu algum
resultado? – ele me perguntou com brilho nos olhos, acho que esta ansioso.
- É isso? – Coloquei na mesa a placa
de pedra
- Meu... deus! É real!
- Você foi para os Túmulos das cataratas
sombrias e pegou isso? Bom trabalho – a mulher encapuzada reagiu.
Mal tivemos tempo para comemorar, a
elfa guarda costas do rei apareceu.
-Farengar! Farengar, não há tempo de
ficar em cerimônia. Um dragão foi visto por perto. – deveria ser o dragão que
eu vi ao sair da estalagem.
- O que? Um dragão em carne e osso? –
Farengar não parecia estar com medo.
- Precisamos falar com Balgruuf
sobre o que devemos fazer.
Fomos ao andar de cima do palácio,
precisamente nos aposentos do rei, ali havia um guarda vigia, foi ele que viu o
dragão atacando a torre, pelo menos ele foi quem sobreviveu ao ver. O rei estava
ciente do dragão e nos mandou ir examinar a área do ataque.
- Se o combate for necessário, façam
de tudo para proteger a cidade e matar o dragão. – disse Balgruuf
- Certo, devo chamar algum dos guardas
para ir comigo? – Irileth perguntou
- Sim, e você, Drunmon, eu queria
pedir que você fosse também. Afinal, você já viu um dragão e é, portanto, o que
tem mais experiência sobre eles.
-Sem problemas – falei
- E quanto a você, Farengar, você
não vai ao combate, não posso por você em risco também. Fique aqui e prossiga
com suas pesquisas.
- Ma... Mas eu queria vê-lo –
Farengar parecia uma criança que perdeu o doce.
Saímos do palácio e fomos em direção
ao portão principal da cidade, tinha um grupo de guardas aguardando ordens de
Irileth. Ela comandou-os para irem conosco matar o dragão, deu-os algumas
mensagens de confiança, pois aqueles pobres coitados nunca viram um dragão na
vida.
Corremos em direção a torre, que por
sinal estava toda destruída, haviam destroços de tijolos de concreto pelo chão,
e haviam ali também várias fogueiras. Chamas do dragão provavelmente. Eu
adentrei a torre pra ver se tinha alguém vivo. Logo na entrada havia um guarda
que estava lá durante o ataque. Ele estava muito ferido, e sua couraça estava
praticamente toda rasgada.
-
Não! Não venham pra cá. Ele esta por aqui ainda. – estava com medo, se referia
ao dragão.
Ouvimos um rugido.
- Kynareth nos proteja, aí vem ele
de novo
Era o dragão, rápido como o vento.
- Aí vem ele, garotos! Façam com que
toda flecha conte. – Gritou Irileth, a elfa
Ele voou acima de nós, muito próximo
ao chão, ao olhar pra cima tudo que víamos eram flechas voando sem rumo
lançadas originalmente para acertar o dragão. Eu estava com meu arco e com dez
flechas mais a flecha daédrica de Talline, que por sinal deve estar dormindo
agora. A mira dela seria útil agora. O dragão deu umas três voltas na área da
torre e pousou, pousou no caminho de pedra, estava muito longe de mim, até eu
chegar onde ele estava ele levantaria vôo de novo. De longe eu tentei atacá-lo,
lancei uma flecha comum, não a daédrica. Pude ver um infeliz dum guarda
atacando o dragão bravamente de perto, mas sua coragem foi logo inutilizada ao
receber uma abocanhada dele. O dragão sanguinário chacoalhava o pobre guarda de
um lado pro outro com a boca, até soltar e atira-lo longe. Era horrível ver uma
cena dessas sabendo que eu não podia fazer nada.
O monstro olhou para mim de longe e
berrou. “dovahkiin los rigir, nuz vis rok kriist suleyk do dovah?”, era de
arrepiar a maneira que esses monstros falavam. Depois de falar isso ele
levantou vôo e começou a me rondear, até que berrou novamente, “Yol toor shul”
foi o que ele falou quando começou a sair da boca dele uma rajada de fogo,
consegui escapar por pouco, toda a área de onde o fogo atingiu estava em chamas
agora, queimava até a alma se bobear quando tentava me recompor o dragão pouso
bem na minha frente, tentei dar a volta nele para não ser abocanhado, olhei ao
redor enquanto corria e vi irileth vindo em minha direção pra ajudar, subi numa
pedra que estava bem do lado do monstro e usei-a para pular em sua lombar, pois
apesar de tudo ele não tinha alcance para me pegar ali. Mas ele percebeu que eu
estava lá e levantou vôo, tudo que eu tinha para me apoiar eram aqueles
espinhos das costas dele. Tentei escalar até chegar à cabeça. Era difícil, mas
deu certo. Tentava não olhar pra baixo, já estávamos muito longe do chão e subíamos
cada vez mais. Ao chegar na cabeça eu apertei a garganta com minha perna e começai
a golpear a cabeça com a espada.
- Hinskaal, se eu morrer agora você
morre também, Dovahkiin – aparentemente o dragão falava minha língua também.
- Te vejo em oblivion, então!
Tornei a golpeá-lo, mas quando vi,
ele começou a se aproximar do chão. Pensei se ele estava tentando se suicidar, mas
pelo contrário, ele pousou. Aproveitando que eu já estava no chão golpeei-o com
mais força, minha espada cravou completamente na cabeça do monstro, que soltou
um rugido agudo, acho que consegui.
Deixei lá minha espada e saí de cima
dele. Os guardas e a Irileth se aproximaram de mim.
- Você... Você conseguiu! – um
guarda falou
- Algo está acontecendo. – Irileth gritou
de longe.
O dragão tinha suas escamas se decompondo
e sumindo no ar. “kogaan, joor. Obrigado” o dragão falou e depois dormiu. Uma
aura azul começou a sair dele, que teve toda sua carcaça decomposta, sobrando
apenas o esqueleto. A aura azul lembrava a alma dele, que começou a ser
absorvida pelo meu corpo. Quando eu olhei ao redor vi todos os guardas com
olhares surpresos.
- Você é... Dragonborn, por Talos, os
deuses não nos abandonaram! – um deles falou
- Dragonborn? O que é isso? –
respondi
- Sim, pode ser ele. Meu avô me
contava histórias sobre um homem que tinha o poder de matar dragões e absorver
suas almas, você pode ser ele, redguard. – outro guarda falou
- Não acredito nessa história de
criança nórdica. – Irileth replicou.
- Você é elfa, Irileth, óbvio que
não acredita.
Enquanto eles discutiam, eu me
lembrei daquela parede com escrituras dragônicas nos Túmulos das Cataratas
Sombrias, aquela palavra que brilho... Força ela significava... “Fus” traduzido
literalmente. Tentei assimilar. O Dragão gritou “Yol toor shul” e chamas saíram
da sua boca. Então se eu gritar “fus”... Não custa tentar.
-Fus! – Gritei, e algo aconteceu,
saiu da minha boca uma onda azul de vento, como o draugr fez. A rajada fez com
que alguns guardas fossem empurrados, mas não voaram longe, acho que o poder
não era suficiente ainda.
- O que foi isso agora?! – Irileth gritou
- O thu’um! Ele possui o thu’um! – o
outro guarda gritou
- É definitivo então, você é
Dragonborn – um guarda acrescentou.
- Drunmon, vá até Balgruuf e conte-o
tudo que aconteceu aqui. Inclusive esse negócio de ‘Dragonborn’, ele vai saber
o que fazer – a elfa falou
Fiz um sinal de positivo com a
cabeça e parti para Whiterun, agora tenho em mãos um poder que não tinha
conhecimento, preciso saber como usá-lo.
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