Certamente havia bandidos lá, portanto fomos andando devagarinho,
de maneira furtiva para caso encontrarmos alguém poderíamos matá-lo mais
facilmente. Subimos a escada que nos levava ao pátio exterior do túmulo, o que
só provou minha teoria. Lá estavam três deles, três bandidos. Um tinha um
martelo igual ao do orc que enfrentamos, outro tinha um arco e o outro usava um
escudo e espada.
Fiz um sinal pra
Talline atirar no arqueiro enquanto eu tentava apunhalar o com martelo, daí só
sobrava o mais inofensivo, o que usa a espada e o escudo.
Dito e feito. Ela
errou dessa vez, mas o tiro foi de grande ajuda, ela acertou a barriga do
arqueiro, na região do abdômen. Foi um tiro fundo o bastante pra deixá-lo
agonizando ao chão. Enquanto os dois outros bandidos tomavam um susto sem saber
o que aconteceu eu dei uma volta tentando me esquivar do olhar deles, mas na
hora de apunhalar eu falhei e acertei a lâmina bem no cabo do martelo que
estava nas costas dele, o bandido obviamente me percebeu e me golpeou com as
mãos. Porém antes que ele pudesse me encurralar eu rolei para trás, então ele
pegou o martelo e partiu pra cima. Enquanto isso o outro viu a bretã e avançou
nela também.
O bom de lutar
com alguém que usa martelo de guerra é que eles são pesados, assim deixando os
ataques mais lentos e mais fáceis de esquivar. E como todo bom bandido burro e
acéfalo esse fez um golpe que veio de cima com seu martelo, que ficou preso no
chão por causa da quantidade de força usada, deixando-o vulnerável a qualquer
ataque meu. Fui pra trás dele e o decapitei rapidamente. Ao olhar para trás vi
que a Talline ainda estava lutando com o outro bandido, mas ele estava com a
vantagem, parece que ela esqueceu a adaga em Riverwood e estava só com o arco.
Uma tremenda duma desvantagem. Quando observei o arqueiro no chão percebi que
ele tinha uma adaga, uma pequena e mortal adaga metálica. Era uma oportunidade
de eu treinar minha mira, peguei a adaga do chão e joguei. Foi uma cena linda,
aquela pequena lâmina girando e girando no vento acertando a cabeça daquele
bandido que não usava elmo. O corpo dele caiu no chão bem ao lado da Talline,
que tentava se defender com o arco.
- Como você...
Quando você...? – Talline estava confusa
- Não me
pergunte. Isso nunca mais vai acontecer
Todos estavam mortos,
exceto o arqueiro que estava ao chão, gemendo, com uma flecha acima do umbigo.
Levantei a espada para aplicar o golpe da misericórdia, até a bretã
interromper.
- Não faça. Ainda não
- Por quê? – perguntei
- As vezes ele tem algo
pra falar pra gente. Alguma pista, talvez.
Eu acho furada tentar
alguma coisa com esse bandido, as vezes ele fala coisa errada, não é confiável.
Mas deixei-a perguntar.
- Ei, ei! Olha pra cá. – Ela falava enquanto dava
uns tapas na cara do bandido no chão
O bandido olhou e fez uma cara de
susto.
- Tem mais algum amigo seu aí dentro? –
ela apontou pra entrada dos túmulos.
- T... Tem quatro. Por... Por favor, me
deixe ir! – o bandido suplicava
- Você sabe de alguma placa de pedra
com algumas coisas escritas?
- O que?!
Ela se levantou e falou no meu ouvido
- Pode fazer
Eu levantei minha espada e cravei no
pescoço dele. E nós fomos em direção aos túmulos. Eu olhei pra trás. Vi ali
três corpos no chão, deixados para serem devorados pelo tempo, talvez para
servirem de alimento para algum lobo. Triste, mas é o destino, ou você mata ou
é morto. O engraçado é que eu não pensava assim algum tempo atrás. Não sei se
eu que estou me transformando num assassino ou se talvez eu esteja abrindo os
olhos e vendo realmente do que sou feito. É isso, estou vendo do que sou feito,
vendo do que o mundo é feito.
Abrimos aquela fria e pesada porta de
pedra que nos dava a entrada aos túmulos, tentando fazer o mínimo barulho
possível, sabendo que haviam mais quatro bandidos lá dentro. Lá dentro era
cheio de teias de aranha, as paredes estavam meio quebradas e tinham dois pilares
no meio do salão. Podia-se ver também alguns skeevers mortos e alguns corpos no
chão. Inimigos dos bandidos talvez. Haviam dois deles no outro lado do salão,
estavam conversando. Falando alguma coisa sobre uma garra dourada e outro
membro da gangue que sumiu.
- Será que ele vai demorar pra voltar?
Não quero ficar dentro desse lugar dos demônios – um deles dizia.
- Acalme-se, nós ainda vamos achar
Arvel – a mulher falava
- Que se dane o Arvel, ninguém mandou
ser burro e ir sozinho abrir a porta com a garra dourada!
- Pode tirar o cavalinho da chuva, não
sairemos daqui sem a garra dourada do Arvel.
Eles mencionaram uma garra dourada,
acho que isso é uma pista.
Fiz um sinal para a Talline novamente atirar
na arqueira enquanto eu atacava o outro que tinha uma espada de duas mãos. Mas quando
olhamos novamente vimos que os dois não estavam mais lá. Fomos um pouco mais pra
frente para checar.
Eles estavam no lugar onde tinha uma barraca
e uma fogueira, estavam fazendo comida, mas já não estavam lá. Sumiram do campo
de visão, de repente ouvi um grito abafado, Talline que estava um pouco atrás de
mim tinha sido pega pelo bandido com espada. Eles foram mais rápidos que nós.
Corri em direção a ela, o bandido estava
segurando ela pelo pescoço contra um dos pilares. Dei uma cotovelada na costela
dele, mas ele não soltava. Ela estava ficando pálida, e eu ficava cada vez mais
furioso com aquele bandido que não largava ela, ele parecia um armário de tão grande.
Então peguei a minha espada de oricalco e fiz um corte em suas costas que ia dês
do ombro até a perna, ele gemeu e finalmente soltou ela, porém ele avançou em mim.
Comecei a recuar, mas a arqueira me deu uma rasteira, e eu caí no chão.
Não sei mais o que fazer. Estava encurralado
sem meios de escapar. Observei o bandido pegando lentamente o machado em suas costas
e vindo em minha direção.
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