Num clima meio tenso eu andava um pouco atrás daquele que recentemente me ameaçou. Estávamos no nosso caminho para fora daquela vila amaldiçoada, Ralof frequentemente olhava pra trás, acho que não confia em mim.
Chegamos no final do corredor, Ralof abriu a porta e observou outro corredor. Olhou mais no fundo e viu dois oficiais do império, "um prisioneiro. Pegue-o!" eles berravam. O rebelde não exitou e avançou na direção deles. Eu estava logo atrás e desconfiei de uma coisa, o teto, relativamente longe do chão, estava meio rachado, nos dando a possibilidade de observar a luz que vinha de fora e nessas condições pude ver a sombra do dragão, ele estava logo em cima de nós, a sombra ia ficando maior e mais densa, logo percebi.
Aquele dragão ia pousar.
"Não vá por aí!" gritei para Ralof. Ele, no momento de adrenalina, virou a cabeça, mas não parou. O teto desabou em cima de suas cabeças e por pouco não me atinge, debaixo dos escombros estavam, certamente mortos, os três. Olhei pra cima na direção do buraco feito pelo dragão mas não pude ver nada, meus olhos estavam acostumados com a escuridão desse lugar, pude ver o vulto do dragão, que não fez nada em relação a mim. Corri em direção a única porta que eu tinha acesso sorrateiramente. Abri a porta devagar para não fazer barulho, vi ali mais dois imperiais falando que estavam com medo desse dragão, talvez por isso não saíram dessa sala para ver a origem do barulho, por causa de um pilar bem no meio da sala eles não tinham como me ver. Bem ao lado da porta que eu acabava de entrar havia um suporte com uma espada, logo peguei.
Eu hei de fazer o primeiro golpe, e o golpe tinha de ser fatal, eles tinham armaduras pesadas e eu apenas um manto rasgado cobrindo meu corpo. Dei a volta no pilar e me aproximei sorrateiramente das costas do oficial que aparentava ser mais forte, seria agora ou nunca. Dei uma rasteira nele que fez com que ele caísse de lado no chão. Logo que ficou de costas comecei a apunhala-lo de forma brusca, foi muito rápido. O outro imperial me percebeu rapidamente e partiu pra cima. Veio um golpe lateral, defendi com a espada, uma mão no cabo e outra na lâmina, um pouco mais de força que ele usasse e eu cortava minha própria mão. Com ambas as mãos ocupadas me restaram os pés, apliquei um chute em seu abdômen que o empurrou pra trás e o fez dar de costas na parede. Aproveitando a situação empurrei minha espada em seu peito, ele gemeu e relaxou, sangue saia de sua boca.
Não tinha mais negócios ali, abri a porta do outro lado da sala e entrei, era uma pequena sala vazia com escadas ao fundo, e eu ia descendo a torre.
Tudo que eu ouvia de minha posição eram gemidos de dor, um calafrio me subia a espinha: era uma sala de tortura. Tinham dois homens ali e duas mulheres rebeldes dentro de jaulas, uma delas parecia estar morta e a outra chorando desesperadamente, o torturador era o mais velho e o outro parecia ser seu assistente, ele fazia perguntas para a mulher, era agonizante. Se a pobre garota respondesse qualquer coisa que ele não queria ouvir ele lançava uma especie de magia que fazia ela gritar de uma maneira horrível. Não muito tempo depois eles saíram da sala, eu entrei. A coitada estava dentro da jaula chorando. Peguei um molho de chaves em cima da mesa, eram as chaves das jaulas, "você esta bem? Qual é o seu nome?" perguntei, "m... me ajuda... por favor." ela respondeu. A jovem rebelde não aparentava ter mais forças, então eu abri a jaula e carreguei ela, era uma jovem bonita, com cabelos ruivos e olhos verdes, estava pálida. Como alguém seria capaz de fazer uma coisa dessas com uma moça tão bonita?
Passei ao lado de uma porta, provavelmente essa porta levaria para onde estavam os dois torturadores, passei reto e cheguei numa área onde havia correntes de água e algumas pontes, e lá haviam mais imperiais. Eram como ratos, não acabavam mais. Pelo que pude espiar tinham três com espadas e dois no outro lado com arcos, seria uma batalha difícil, a moça estaria em perigo se eu levasse-a comigo, então encostei ela na parede, parecia que depois de tanto sofrimento estava cansada, dormiu rapidamente nos meus braços. Saquei a espada e avancei, um felizmente peguei de surpresa matando rapidamente, mas isso serviu para avisar os outros que eu estava lá, os arqueiros prepararam seus arcos e miraram enquanto os outros oficiais partiam pra cima, um ataque reto em direção do meu tronco, desviei e minha espada atravessou seu pescoço decapitando-o. Mal pude comemorar a vitória e uma flecha atravessou meu braço, por sorte foi o braço esquerdo, e eu sou destro, a segunda flecha passou longe, mas ainda tinha outro guerreiro pra cuidar. Ele usava a mesma armadura pesada de metal do império, e usava um machado de duas mãos. Veio um ataque em direção a minha cabeça, porém eu fui mais rápido e abaixei, cravei minha espada de baixo pra cima em seu abdômen. Corri para o outro lado do pátio com a espada em mãos e tentando desviar-me das flechas que vinham em minha direção. Agora era a linha reta, onde eu era alvo fácil para os arqueiros, tentei correr em zigue-zague para não ser atingido pelas flechas, o primeiro tentou largar o arco no chão e sacar a adaga, mas fui mais rápido e com apenas um golpe arranquei sua cabeça. O outro atirou mais uma flecha que passou de raspão no meu braço direito, mas prossegui com o ataque e cortei fora o braço que segurava o arco, ele soutou um berro e eu cravei minha espada em seu peito, caiu. Mas aí eu lembrei que tinham cinco na sala, olhei pra trás e não vi o que restou. Peguei o arco daquele arqueiro pra mim e ia voltando para pegar a ruiva. Então ouvi um barulho no lugar que havia deixado-a, corri para lá com o arco preparado, e vi aquele imperial preparando sua espada para matar a garota, logo me percebeu. Antes que ele pudesse reagir eu atirei a flecha, foi um tiro perfeito, a flecha atingiu entre suas sobrancelhas.
Dei um suspiro e sentei, não pude conter o cansaço.
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